E-commerce Carrefour Brasil – migração e evolução da experiência

Projeto desenvolvido durante a migração do e-commerce Carrefour Brasil para a plataforma VTEX, em um contexto publicamente associado a aumentos próximos a 30% na taxa de conversão, com foco na evolução da experiência, navegação, busca e adoção de pesquisa contínua em produção.

 

Contexto

Entre 2019 e 2020, atuei como Product Designer Senior no Carrefour Brasil, integrando o time de Produtos Digitais em um momento estratégico para o e-commerce da companhia: a migração de plataforma e a reconstrução da experiência de compra online.

O desafio se dava em um cenário de alta complexidade organizacional, com múltiplos stakeholders, diferentes unidades de negócio (shopping e mercado) e, inicialmente, sem a definição da plataforma tecnológica final. O design teve um papel fundamental na construção da visão de experiência que serviria como base para decisões futuras de produto e tecnologia.

 

Ver a evolução da experiência

 

Abordagem baseada em descoberta estratégica, prototipação iterativa e validação contínua, equilibrando visão de experiência, necessidades de negócio e restrições técnicas.

1. Descoberta e alinhamento estratégico

No início da descoberta, liderei a definição das prioridades de investigação quando identifiquei sinais de ambiguidade entre os mundos food e non-food. Decidi priorizar entrevistas internas e análises de jornada com foco nesses pontos, pois percebemos que isso influenciaria diretamente a arquitetura de navegação e a construção de hipóteses iniciais.

Essa etapa foi essencial para criar alinhamento entre times e reduzir incertezas antes da definição da plataforma tecnológica.
 

2. Teste de usabilidade – Validação prévia de experiência (antes da produção)

Antes da implementação em produção, foram conduzidos testes de usabilidade com 10 usuários, utilizando protótipos para validar fluxos críticos da jornada de compra. Essa etapa teve como objetivo validar a direção da experiência proposta, identificar problemas de compreensão e reduzir riscos antes da adaptação às restrições técnicas da plataforma, funcionando como uma camada preventiva de decisão — e não como mensuração de impacto.

Protótipo como ferramenta de validação de experiência

Protótipo de média/baixa fidelidade desenvolvido para testes de usabilidade, representando fluxos críticos da jornada de compra — da busca ao checkout — e permitindo validar conceitos de navegação, escolha de produtos e modalidades de entrega antes da implementação técnica.

 

3. Criação da base de experiência

Construção da fundação visual e estrutural da experiência, garantindo consistência e escalabilidade mesmo sem a formalização de um design system completo. Com base nos aprendizados da descoberta, contribuí para:

 

Experiência final do e-commerce Carrefour, na plataforma Vtex, entregue em produção (2020):

Jornada de compra (mobile)

Demonstração da jornada de compra simplificada, desde a navegação inicial até a adição de produtos ao carrinho, passando por home, catálogo, detalhe de produto, mini-cart e carrinho de compras.

 

 

O produto final equilibrou aprendizados de pesquisa, testes e validações ao estruturar experiências distintas de food e non-food em um ambiente digital compartilhado.

Após a migração para a plataforma VTEX e o lançamento do novo site em produção, indicadores comportamentais e feedbacks reais de usuários passaram a apontar fricções relevantes na experiência de busca, especialmente na compreensão entre shopping e mercado. A migração foi conduzida de forma gradual, com a coexistência temporária das plataformas Hybris e VTEX, o que possibilitou o acompanhamento de métricas comportamentais e a avaliação de avanços e fricções na experiência ao longo do processo.

Com base nesses dados comportamentais, liderei a priorização de hipóteses de intervenção na busca, focando primeiro em pontos com maior impacto no esforço do usuário, como relevância dos resultados e clareza de segmentação. Essa priorização guiou o design de experimentos e influenciou diretamente a definição do backlog técnico para ajustes no produto.

A análise de métricas de engajamento nas páginas de resultado de busca indicou taxas críticas de rejeição e saída, com bounce rates variando entre 93% e 82% e exit rates de 32%, a depender do contexto. Esses indicadores apontaram fricções relevantes na descoberta de produtos, impactando diretamente a continuidade da navegação e aumentando o risco de abandono do funil.

Nesse contexto, conduzi — em parceria com analytics e produto — um estudo aprofundado sobre a busca já em ambiente produtivo, envolvendo:

Esta fase teve como objetivo diagnosticar problemas reais em ambiente produtivo, compreender o comportamento efetivo dos usuários e consolidar recomendações acionáveis para a evolução contínua da experiência de busca no e-commerce.

 

A pesquisa evidenciou falhas estruturais na compreensão da busca e da segmentação entre shopping e mercado, impactando diretamente a descoberta de produtos:

  • Os dados de comportamento reforçaram diferenças estruturais entre os contextos de Shopping e Mercado. Enquanto pedidos do Shopping apresentaram uma média de 6,2 produtos por carrinho, o contexto de Mercado atingiu 45,2 produtos por pedido, evidenciando padrões distintos de compra, recorrência e expectativa do usuário. Essa diferença validou a decisão de tratar food e non-food como experiências separadas, com jornadas, arquitetura e regras próprias.
  • Usuários não compreendiam claramente a diferença entre shopping e mercado;
  • A busca híbrida gerava confusão e frustração;
  • Produtos irrelevantes ou indisponíveis apareciam nos resultados;
  • Lentidão e falhas de performance afetavam a percepção de qualidade;
  • Filtros e ordenações nem sempre funcionavam conforme esperado;
  • A experiência mobile apresentava taxas elevadas de rejeição em determinados fluxos.

Esses insights foram validados por dados quantitativos e evidências qualitativas, fortalecendo a tomada de decisão do time.

 

Com base nas análises, consolidei recomendações acionáveis, entre elas:

  • Revisão da lógica de relevância e ordenação da busca;
  • Maior clareza visual e conceitual entre shopping e mercado;
  • Redução da exposição de produtos indisponíveis;
  • Ajustes de layout da busca híbrida;
  • Monitoramento contínuo de métricas de performance e conversão;
  • Priorizações claras para evolução do roadmap.

As recomendações foram organizadas por impacto e esforço, facilitando sua incorporação ao backlog de produto.

 

Resultados expressos principalmente na redução de incertezas, no alinhamento entre times e na geração de aprendizado organizacional, mais do que em métricas pontuais:

  • Indicadores de eficiência e impacto na jornada
    Os estudos em produção permitiram analisar indicadores diretamente ligados à eficiência da jornada de compra, especialmente nos fluxos de busca e descoberta de produtos. Métricas como a média de buscas necessárias para conclusão do pedido, taxas de rejeição e saída em páginas de resultado, além da quantidade média de itens adicionados ao carrinho, evidenciaram fricções estruturais na experiência. Esses indicadores reforçaram a necessidade de evoluir a navegação, a busca e a separação entre food e non-food, atuando em pontos do funil historicamente associados a abandono e queda de conversão no e-commerce.
  • Diagnóstico profundo e orientado a dados
    Como resultado, mais de 4.000 feedbacks mensais foram coletados, 600+ usuários impactados em testes de usabilidade, 30+ pesquisas realizadas ao longo do ano e cerca de 20 testes A/B executados, consolidando uma base sólida para decisões orientadas por dados;
  • Redução de incertezas e maior alinhamento entre design, produto e tecnologia;
  • Direcionamento estratégico para decisões de evolução contínua do e-commerce;
  • Consolidação do design como ferramenta estratégica dentro do ecossistema digital do Carrefour.

Os direcionamentos gerados ao longo do projeto fortaleceram a base de experiência do e-commerce e contribuíram para a evolução contínua do produto em produção, alinhando-se aos resultados positivos observados após a migração de plataforma e amadurecimento da experiência digital.

 

As decisões de design e pesquisa adotadas ao longo do projeto contribuíram diretamente para a redução de fricções críticas na jornada de compra, especialmente nos fluxos de navegação e busca. A estruturação de experiências distintas para food e non-food em um mesmo ambiente digital aumentou a clareza da proposta de valor do e-commerce, reduziu ambiguidades na descoberta de produtos e apoiou a evolução contínua do produto em produção. Além disso, a implementação de uma camada permanente de feedback, pesquisa e experimentação permitiu que decisões de produto passassem a ser tomadas com base em evidências reais de comportamento e percepção dos usuários, fortalecendo a maturidade data-driven do e-commerce Carrefour Brasil.

Embora métricas específicas de conversão e receita não pudessem ser publicamente detalhadas, o trabalho gerou impactos organizacionais relevantes, como maior alinhamento entre áreas, redução de retrabalho, priorização mais assertiva do roadmap e consolidação do design como agente estratégico no ecossistema digital.

 

Principais aprendizados sobre design em escala enterprise, pesquisa contínua e governança da experiência do usuário:

  • Design em ambientes de alta complexidade
    Aprendi a projetar e tomar decisões em ambientes de alta complexidade, lidando com múltiplos stakeholders, restrições técnicas, dependências organizacionais e impactos em larga escala.
  • Tomada de decisão orientada por dados qualitativos e quantitativos
    Consolidei a tomada de decisão orientada por dados qualitativos e quantitativos, combinando pesquisa com usuários, métricas comportamentais e evidências de negócio para reduzir incertezas ao longo do processo.
  • Limitações e impactos da ausência de um design system formal
    Vivenciei na prática os impactos da ausência de um design system formal, compreendendo seus efeitos na consistência da experiência, na eficiência de desenvolvimento e na escalabilidade do produto.
  • Importância da pesquisa contínua como ferramenta de evolução de produto
    Reforcei a importância da pesquisa contínua como ferramenta de evolução do produto, indo além de iniciativas pontuais e incorporando feedback recorrente em ambientes de produção.
  • O papel do designer como agente de alinhamento entre negócio, tecnologia e pessoas
    Entendi o papel do designer como agente de alinhamento, responsável por conectar objetivos de negócio, decisões tecnológicas e necessidades reais das pessoas, facilitando acordos e direcionamentos estratégicos.

 

O projeto se insere em um contexto mais amplo de transformação digital do e-commerce Carrefour Brasil, no qual decisões orientadas por pesquisa, dados e experiência do usuário passaram a ter papel central na evolução do produto e nos resultados do negócio.

Em conjunto, esses indicadores evidenciam avanços na eficiência da jornada de compra, atuando diretamente em pontos do funil historicamente associados à conversão, como busca, descoberta e clareza do modelo food e non-food. Esses resultados comportamentais se inserem no contexto mais amplo da migração do e-commerce Carrefour Brasil para a VTEX, publicamente associada a ganhos relevantes de conversão.

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